Opinião: Tecnologia, realidade e ética

tecnologia e ética

(*) Por Karina Israel

tecnologia e éticaNos âmbitos pessoal e corporativo, o propósito não deve ser o de estarmos limitados a uma segunda vida virtual, mas sim o de oferecer uma primeira vida que use o digital como um ótimo complemento

A foto polêmica de Mark Zuckerberg na MWC 2016 – caminhando tranquilamente enquanto centenas de jornalistas encontravam-se absolutamente distraídos e imersos numa experiência de realidade virtual – mexeu com os alicerces das redes sociais esta semana.
A cena foi imediatamente associada ao filme Matrix, onde a humanidade vive numa completa virtualidade, sem consciência do seu estado e absolutamente distante da realidade. Alguns internautas apontam que já estamos vivendo como “mortos-vivos”, aos estarmos grande parte do nosso dia com os olhos afundados na tela de um smartphone sem perceber o mundo a nossa volta.
Se o executivo do Facebook buscava visibilidade para seu lançamento, ele certamente conseguiu. Sua entrada foi realmente marcante. Mas conseguiu também e sem querer, provocar uma ótima reflexão do que desejamos para o nosso futuro e como podemos conciliar uma vida feliz, uma vida saudável com o potencial das tecnologias emergentes.
Como seres humanos queremos a vista das montanhas, o cheiro da terra molhada, o sabor do pastel de feira, o calor do abraço. Como seres em evolução queremos usar a tecnologia a nosso favor, garantindo conveniência, proporcionando experiências únicas, aproximando distâncias, conhecendo o inexplorado, ampliando nossas potencialidades.

 

Como compatibilizar a tecnologia e ética nos tempos de hoje? Será que estamos preparados para conciliar tudo isso? Conseguimos perceber os limites?

Este questionamento existe no âmbito pessoal, mas também corporativo. As empresas que desenvolvem e impulsionam a evolução tecnológica devem ter responsabilidade e uma visão de ética sobre o resultado de seu trabalho. A tecnologia não deveria ser usada para substituir a realidade e sim para maximizá-la, trazendo oportunidades exponenciais para a nossa vida real. O propósito não deve ser o de estarmos limitados a uma segunda vida virtual, mas sim o de oferecer uma primeira vida que use o digital como um ótimo complemento.
A discussão pautada sobre imagem de Zuckerberg, repleta de temores de que o futuro venha a ser um simulacro de experiências fantásticas só que irreais, é válida e pertinente. A ciência e a tecnologia são campos com enormes dilemas éticos, com temas que vão da clonagem de animais extintos aos ciborgues, a fusão do homem e da máquina conduzindo à imortalidade eletrônica, o avanço da inteligência artificial ao ponto dos homens possuírem robôs para todas suas tarefas domésticas e profissionais ou o reverso, um cenário onde máquinas poderiam escravizar os homens.

Convido você, um ser humano em evolução e um profissional responsável, a retirar os olhos da tela do computador ou do smartphone e pensar, mesmo que por alguns minutos, como deseja ver o uso da tecnologia em sua vida, antes que outros decidam por você.

(*) Karina Israel é diretora-executiva da YDreams